Ex-policial militar acusado de matar namorada é julgado, na Serra, quatro anos depois do crime

O assassinato da estudante Ana Clara Félix Cabral, de 19 anos, vai começar a ser julgado quatro anos anos após o crime, às 8h desta quinta-feira (11), na 3ª Vera Criminal da Serra, na Grande Vitória. O acusado é o ex-policial militar Itamar Rocha Lourenço Junior, na época namorado da vítima.

A jovem, de 19 anos, foi morta com cinco tiros e teve o corpo foi jogado em uma ribanceira, na Serra, no dia 5 de fevereiro de 2015. Itamar, que na época tinha 24 anos, está preso desde o dia do crime na na penitenciária de Segurança Média I, em Viana. O ex-policial não foi acusado de feminicídio porque ainda não existia esta qualificação de crime.

Ana Clara Cabral foi assassinada em fevereiro de 2015, no ES — Foto: Ana Clara Cabral/ Arquivo Pessoal

Ana Clara Cabral foi assassinada em fevereiro de 2015, no ES — Foto: Ana Clara Cabral/ Arquivo Pessoal

Um juiz decidiu que o caso seria levado ao Tribunal do Júri em 2016. De acordo com a decisão de pronúncia da juíza Daniela Pellegrino de Freitas Nemer, Itamar responderá pelo crime de homicídio por motivo fútil, com recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele é acusado de ocultação de cadáver e de comunicação falsa de crime.

Itamar foi expulso da Polícia Militar cinco meses depois do assassinato.

Crime

O crime aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2015, após Ana Clara e Itamar saírem de uma festa. Os depoimentos apontam que a relação do casal era conturbada e que o ex-PM tinha muito ciúme da jovem.

Eles seguiram em direção a Serra quando Ana Clara foi morta dentro do carro de Itamar com cinco tiros, sendo um na cabeça e quatro nas costas. O corpo dela foi jogado em uma ribanceira na Rodovia do Contorno.

Após o crime, Itamar notificou a polícia dizendo que ao sair de um motel, em Cariacica, com a namorada, parou para urinar. Nesse momento o carro dele, onde Ana Clara estava, foi cercado por criminosos, que teriam sequestrado a estudante.

Para um amigo, ele contou onde estava o corpo de Ana Clara e já durante a noite ele levou os policiais até o local. O ex-policial nunca confessou o crime, na motivação e dinâmica do assassinato.

Delegado diz não ter dúvidas que Itamar Rocha Lourenço foi o autor da morte de Ana Clara no espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Delegado diz não ter dúvidas que Itamar Rocha Lourenço foi o autor da morte de Ana Clara no espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Depoimento

Após quatro anos em silêncio, o réu deve apresentar a versão dele para o crime durante o julgamento, contou o advogado do ex-policial.

“Ele tem permanecido em silêncio, mas na última conversa que tivemos, ele decidiu que agora é o momento de apresentar a sua versão do que aconteceu no dia do crime. Eles namoraram por pouco tempo, mas tiveram um relacionamento um pouco conturbado”, relatou o advogado.