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Empresário brasileiro volta ao ES após ficar mais de 50 dias retido na Bolívia e andar de carro mais de 3,5 mil km passando no meio da mata

Empresário registra saída da Bolívia rumo ao Brasil antes de estado de exceção O empresário e desenvolvedor de softwares Rafael Darrouy, 40 anos, chegou a...

Empresário brasileiro volta ao ES após ficar mais de 50 dias retido na Bolívia e andar de carro mais de 3,5 mil km passando no meio da mata
Empresário brasileiro volta ao ES após ficar mais de 50 dias retido na Bolívia e andar de carro mais de 3,5 mil km passando no meio da mata (Foto: Reprodução)

Empresário registra saída da Bolívia rumo ao Brasil antes de estado de exceção O empresário e desenvolvedor de softwares Rafael Darrouy, 40 anos, chegou ao Espírito Santo na noite deste domingo (21), após passar mais de 50 dias impedido de deixar a Bolívia devido à onda de protestos que bloqueia estradas e afeta o abastecimento de combustíveis no país. Ele perdeu o enterro do pai no Brasil. Morador de Vila Velha, na Grande Vitória, Rafael viajava de carro pela América Latina com a namorada quando ficou retido na Bolívia. Na quinta-feira (18), para conseguir voltar ao Brasil, o casal enfrentou uma estrada alternativa que teve o acesso liberado na região amazônica, o meio da mata. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Ao todo, os dois percorreram 3.505 quilômetros até chegar ao Espírito Santo. A viagem de retorno durou quatro dias, com paradas em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia; e pernoites em Campo Grande, Mato Grosso do Sul; e Araxá, Minas Gerais. Segundo o empresário, o casal dirigiu, em média, das 7h às 21h. Menos de 24 horas depois de atravessarem a fronteira, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência diante da escalada da crise política e econômica no país. A medida ampliou os poderes do governo para mobilizar as Forças Armadas e remover bloqueios de estradas que já duram mais de 50 dias. "Enquanto estávamos lá, havia muitos rumores de que poderia haver estado de exceção e uma escalada dos conflitos. Há pelos menos dez dias, alguns bolivianos falavam que colegas militares estavam sendo chamados, aquartelados, então a gente sabia que ia acontecer alguma coisa. Menos de 24 horas após a nossa saída, isso aconteceu. A pressa que tivemos para sair não foi em vão", relatou Rafael. Empresário Rafael Darrouy registrou saída da Bolívia rumo ao Brasil antes de estado de exceção Rafael Darrouy LEIA TAMBÉM: Homem mata mulher e diz à polícia que tentava 'expulsar demônios' na Serra Brasileiro de 23 anos é morto em ataque de drones na Guerra da Ucrânia Ciclista cai em quebra-molas e morre atropelado por caminhão no ES Ao cruzar a fronteira por Corumbá, em Mato Grosso do Sul, Rafael disse ter se emocionado. "Meu olho lacrimejou. Foi uma coisa muito difícil perder o meu pai e não poder sair. A primeira coisa que você vê quando chega na ronteira com Corumbá é uma placa da Receita Federal, tirei até foto. Conversamos em português com um policial federal. Foi uma mistura de alívio, emoção e tensão", contou. Empresário capixaba chega ao Espírito Santo após ficar mais de 50 dias retido na Bolívia e percorrer 3,5 mil km de carro Rafael Darrouy Viagem por estrada de terra e região de mata Sem conseguir utilizar outras rodovias por causa dos bloqueios, o casal deixou a cidade de Sucre e seguiu por uma rota alternativa que passa pela região de Monteagudo. Segundo Rafael, o trajeto atravessava áreas de mata e trechos montanhosos, com estradas de terra, lama e desfiladeiros. "A gente decidiu não esperar mais e pegou a única rota livre. Não sabia que a rota que abriu era para aquela região. Para mim, era uma estrada normal, porque aquilo é uma rodovia federal da Bolívia. Mas era uma região que parecia uma transição entre a Amazônia e os Andes. Passa na selva mesmo, havia vários desfiladeiros sem proteção", contou. Empresário Rafael Darrouy registrou saída da Bolívia rumo ao Brasil antes de estado de exceção. Espírito Santo Rafael Darrouy Durante o percurso, o carro sofreu danos. Um dos pneus foi destruído ao passar por um lamaçal e outra peça precisou ser substituída. "A gente destruiu o pneu no caminho e teve que trocar, não sei como até agora. Foi bem tenso, uma região muito inóspita, isolada. Depois ainda quebrou outra peça do carro por causa da estradam mas já estávamos em Santa Cruz de la Sierra, onde a situação estava um pouco melhor", disse. Após passar a noite em Santa Cruz de la Sierra, onde encontrou uma situação mais estável e conseguiu abastecer parcialmente o veículo, o casal cruzou a fronteira com o Brasil na tarde de sexta-feira (19). "Quando a gente saiu de lá só estava permitido comprar 5 litros de gasolina por galão e 20 litros na bomba direto no carro. Os amigos bolivianos foram ligando para pessoas que tinham combustível armazenado. Conseguimos transferir gasolina de uma caminhonete para o nosso carro", relatou. Empresário do ES que viajava pela América Latina tenta sair da Bolívia há mais de 40 dias Mais de 50 dias de incerteza Rafael e a namorada deixaram o Brasil em novembro do ano passado, por Foz do Iguaçu, no Paraná, para uma viagem sem prazo definido pela América do Sul. O casal passou pelo extremo sul da Argentina, percorreu a costa atlântica, atravessou todo o Chile e entrou na Bolívia em março deste ano. A expectativa era permanecer entre 30 e 40 dias no país antes de seguir viagem para o Peru e, posteriormente, para a Colômbia. Os protestos, porém, mudaram os planos. O casal estava retido em Sucre desde o início de maio, quando as manifestações se intensificaram e passaram a bloquear estradas em diversas regiões do país. Além da dificuldade para encontrar combustível, o empresário se preocupava com a proximidade do vencimento dos documentos de permanência dele, da namorada e do veículo. Durante o período em que ficou retido, Rafael também recebeu a notícia da morte do pai, Marcelo Enrique Darrouy Manieu, e não conseguiu retornar ao Brasil a tempo de participar do enterro. Na ocasião, o Itamaraty informou que acompanhava a situação dos brasileiros na Bolívia e orientava os viajantes a aproveitarem oportunidades seguras para deixar o país. "A Embaixada Brasileira falava 'aproveite a primeira brecha e saia'. A única orientação que recebemos foi essa, aproveitar a primeira oportunidade e sair", afirmou. Rafael Darrouy e a namorada viajavam de carro pela América Latina desde novembro de 2025, mas precisaram interromper o trajeto na cidade de Sucre. Reprodução Apesar das dificuldades enfrentadas, Rafael disse que mantém admiração pelo país e pela população boliviana. "A Bolívia é um país incrível. As pessoas me ajudaram muito, um povo muito solidário. Espero que eles consigam resolver os problemas internamente e superar essa crise. Eu sou muito solidário ao que estão passando, espero que consigam tomar as suas próprias decisões", declarou. Crise na Bolívia Os bolivianos se manifestam desde o início de maio contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o poder há seis meses. Entre as principais reivindicações estão mudanças na política agrária e melhorias no abastecimento de combustíveis. Os protestos têm provocado bloqueios em rodovias, dificuldades de abastecimento e prejuízos à economia do país. Neste sábado (20), o presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência para tentar restabelecer a circulação de mercadorias e serviços essenciais, como alimentos, combustíveis e medicamentos. A medida foi anunciada após quase dois meses de manifestações e prevê maior atuação das forças de segurança para desobstruir estradas e conter os conflitos. Sistema de mapas da Administradora Boliviana de Rodovias mostra bloqueios nas estradas do país. Reprodução Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo