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Empresário e três pedreiros mortos soterrados em obra no ES: o que se sabe e o que falta esclarecer

Escavação em obra que matou empresário e três pedreiros soterrados estava fora das normas, Um empresário e três pedreiros morreram soterrados durante uma ...

Empresário e três pedreiros mortos  soterrados em obra no ES: o que se sabe e o que falta esclarecer
Empresário e três pedreiros mortos soterrados em obra no ES: o que se sabe e o que falta esclarecer (Foto: Reprodução)

Escavação em obra que matou empresário e três pedreiros soterrados estava fora das normas, Um empresário e três pedreiros morreram soterrados durante uma obra de ampliação de uma distribuidora de bebidas em Cariacica, na Grande Vitória, na última sexta-feira (31). Imagens de câmeras de segurança mostram que o grupo realizava uma escavação no local quando a barreira de terra cedeu. (assista abaixo) Entre as vítimas está o dono do próprio estabelecimento, o empresário Vanderson Santana André, de 35 anos, que também trabalhava na construção. As outras três vítimas eram da mesma família e foram identificadas como Ronival Moreira de Jesus, o filho dele, Ruan Moreira da Luz, e o tio da família, Valdomiro Moreira de Jesus. Eles atuavam como pedreiros na obra. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O acidente ocorreu no bairro Nova Rosa da Penha II. Segundo a Prefeitura de Cariacica, a obra estava embargada havia um ano por apresentar irregularidades, mas havia sido retomada recentemente de forma irregular. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) apontou que a escavação foi executada fora das normas técnicas e que o terreno permanece instável. Ainda segundo o órgão, condições climáticas podem aumentar o risco de novos deslizamentos. Empresário e três pedreiros morrem soterrados durante obra no Espírito Santo O caso segue sob investigação. O g1 reuniu o que se sabe até agora e o que ainda falta esclarecer sobre o soterramento. Confira abaixo: Como aconteceu o soterramento? Quatro pessoas morreram soterradas na tarde de sexta durante a construção de um muro de arrimo na obra de uma distribuidora de bebidas. O acidente ocorreu quando um barranco cedeu e atingiu os trabalhadores que realizavam a fundação da estrutura. As vítimas, um empresário e três pedreiros da mesma família (pai, filho e tio), não resistiram aos ferimentos e tiveram as mortes confirmadas ainda no local. Os quatros foram soterrados. Os corpos foram resgatados durante a tarde e início da noite do mesmo dia por equipes do Corpo de Bombeiros. A obra tinha autorização? Não. A Prefeitura de Cariacica informou, por meio de nota, que a construção era irregular e já havia sido embargada há um ano pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Meio Ambiente (Semdec). Segundo a administração municipal, a obra não possuía licenciamento nem responsável técnico, e os trabalhos foram retomados de forma clandestina recentemente, há cerca de uma semana antes do desabamento, sem que as irregularidades apontadas pela fiscalização fossem sanadas antes do soterramento. LEIA TAMBÉM: CREA-ES: escavação em obra que matou empresário e três pedreiros soterrados estava fora das normas EMPRESÁRIO E TRÊS PEDREIROS: saiba quem eram as 4 vítimas de soterramento em obra VÍDEO: empresário postou imagens de obra irregular horas antes de morrer soterrado no ES Câmeras de segurança registraram soterramento de trabalhadores em Cariacica, no Espírito Santo. Reprodução Imóveis foram danificados? Sim. Após o deslizamento, equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil municipal atuaram no resgate dos corpos e na avaliação do terreno. Devido à instabilidade do solo e ao risco de novos desabamentos, a Defesa Civil precisou interditar três imóveis vizinhos ao lote: a própria distribuidora, um galpão ao lado e uma residência localizada na rua de trás. De acordo com o órgão, a área permanece sob monitoramento, e famílias residentes nas proximidades foram orientadas a deixar suas casas temporariamente. De acordo com o subsecretário municipal de Defesa Civil, Marcelo Scherrer, os técnicos identificaram três áreas com possibilidade de novos deslocamentos de terra. "Hoje (segunda), nós viemos aqui com engenheiros e geólogos. Já identificamos três cenários com risco de movimentação de solo, que pode acarretar um desabamento. Ainda é precoce dizer que a edificação pode ser liberada", afirmou. Os moradores do prédio interditado continuam fora de casa e seguem sem previsão de retorno. Quatro pessoas morrem soterradas durante obra em Cariacica; pai, filho e tio estão entre as vítimas Redes Sociais Quem eram as vítimas? As quatro vítimas do soterramento em Cariacica foram o empresário Wanderson Santana André, de 35 anos, e três pedreiros da mesma família: Ronival Moreira de Jesus, de 48 anos; o filho dele, Ruan Moreira da Luz, de 31 anos; e o tio, Valdomiro Moreira de Jesus, de 61 anos. Os trabalhadores eram moradores da região de Nova Rosa da Penha II e bastante conhecidos na comunidade. Entre os operários, Ronival Moreira de Jesus atuou por muitos anos como taxista antes de se tornar pedreiro; ele era casado e deixou dois filhos. O filho, Ruan Moreira da Luz, havia deixado o emprego na Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) para trabalhar ao lado do pai na obra. Ele era casado e pai de três crianças de 4 anos, 3 anos e um bebê de apenas sete meses. Valdomiro, tio da família, deixou uma filha e um neto. O empresário Wanderson Santana André era o proprietário da distribuidora de bebidas que passava por ampliação e possuía mais de 150 mil seguidores nas redes sociais. Ele costumava compartilhar o dia a dia do negócio, que funcionava há cerca de 15 anos, e os planos de expansão do estabelecimento. Wanderson deixou a esposa e um filho pequeno. Horas antes do acidente, o empresário registrou vídeos mostrando o andamento da construção ao lado dos três trabalhadores. (veja abaixo) Empresário postou vídeo de obra irregular horas antes de morrer soterrado no ES Os corpos das quatro vítimas foram sepultados na tarde de sábado (2), em Cariacica. O velório de Ronival, Ruan e Valdomiro ocorreu em uma igreja pentecostal no bairro Nova Rosa da Penha II, seguido pelo sepultamento em um cemitério público às margens da Rodovia do Contorno. Já o velório do empresário Wanderson Santana André foi realizado em uma escola pública da mesma comunidade, e o enterro aconteceu em um cemitério particular, também localizado na Rodovia do Contorno. Qual era a situação legal da obra? A Prefeitura de Cariacica informou que a obra de ampliação da distribuidora estava embargada há cerca de um ano. Na ocasião, o município determinou a paralisação imediata dos serviços por falta de licenciamento e de um responsável técnico. Em nota, a prefeitura afirmou que não houve falha na fiscalização e atribuiu o caso à negligência do responsável por desrespeitar a ordem de paralisação. Uma vistoria do Crea-ES constatou que a intervenção ocorria sem acompanhamento de profissionais habilitados. A fiscalização identificou que a escavação foi feita com um corte vertical de 90 graus, o que causou a perda de sustentação do solo argiloso. Segundo o órgão, a escavação deveria ter sido executada em níveis para garantir a estabilidade do terreno. Terra desliza e mata quatro pessoas durante obra em Viana, Espírito Santo Arte/g1 O que será feito para evitar novos deslizamentos? A Prefeitura de Cariacica iniciou medidas emergenciais para reduzir os riscos no local. Entre elas, estão o isolamento da área, a interdição da rua ao lado da obra e a construção de uma barreira para evitar a infiltração de água da chuva no barranco. Segundo a Defesa Civil, o objetivo é diminuir o risco de novos deslizamentos, principalmente com a aproximação do período chuvoso. "Solicitamos à Secretaria de Serviços que fizesse uma barreira na rua lateral onde ocorreu o deslizamento para evitar a infiltração do solo. A interdição será mantida e o nosso laudo vai apontar as intervenções necessárias para eliminar os impactos", explicou Scherrer. Quem vai executar as intervenções emergenciais? As vistorias têm sido acompanhadas por representantes da família do empresário proprietário da distribuidora e pelos proprietários do prédio interditado acima do barranco, que receberam orientações sobre as próximas etapas. Segundo a Defesa Civil, por se tratar de uma área particular, caberá aos responsáveis pelos imóveis executar as intervenções emergenciais e as obras de estabilização que forem apontadas no relatório técnico. Após a conclusão do documento, a prefeitura fará uma notificação em caráter emergencial para que as medidas sejam iniciadas. "O nosso relatório vai apontar a necessidade das intervenções, que foram acompanhadas pelos proprietários. A partir daí, vamos fazer uma notificação em caráter emergencial para o início imediato dessas intervenções", disse o subsecretário. O relatório técnico deve ser concluído até o fim desta semana. Segundo a Defesa Civil, o documento não vai apontar as causas do deslizamento, mas vai identificar as áreas que devem permanecer interditadas e as intervenções necessárias para eliminar os riscos. Como estão as investigações? A Polícia Civil do Espírito Santo apura o caso por meio da Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho (Deat). Segundo a corporação, as circunstâncias do desabamento estão sendo analisadas, mas detalhes específicos sobre os depoimentos ou linhas de investigação não são repassados no momento para preservar o andamento do inquérito. A Polícia Científica também atuou no local e realizou a necropsia dos corpos no Instituto Médico-Legal (IML) de Vitória. O Crea-ES realizou uma vistoria técnica e identificou que a obra era executada sem responsáveis técnicos e de forma contrária às normas de segurança. As autoridades agora buscam detalhar as responsabilidades criminais pela retomada irregular da obra. Crea aponta escavação fora das normas em obra que matou empresário e três pedreiros soterrados no ES O que falta esclarecer? Responsabilização criminal: a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho (Deat), ainda apura quem são os responsáveis diretos pela decisão de retomar a obra que estava embargada há cerca de um ano. O inquérito vai definir se haverá indiciamento pelas mortes e pelo descumprimento da ordem de paralisação da prefeitura. Até o momento, detalhes sobre depoimentos não foram divulgados para preservar as investigações. Laudo oficial sobre as causas: embora a vistoria técnica do Crea-ES tenha apontado que a escavação vertical de 90 graus causou a perda de sustentação do solo argiloso, a Polícia Científica ainda deve emitir um laudo pericial definitivo sobre as causas do desabamento. Não há um prazo confirmado para a conclusão das análises técnicas de engenharia forense. Estabilização da encosta e retorno de vizinhos: três imóveis permanecem interditados por tempo indeterminado devido ao risco de novos deslizamentos. O cronograma para a execução das obras de estabilização exigidas pela Defesa Civil e pelo Crea-ES ainda não foi divulgado. Somente após esses reparos e a emissão de novos laudos técnicos é que os moradores das casas vizinhas poderão retornar ao local. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo