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'Gentalha atrai gentalha': desembargadora do ES vira ré no STJ por ofensas em grupo de WhatsApp

'Gentalha atrai gentalha': desembargadora do ES vira ré no STJ por ofensas em grupo de WhatsApp Divulgação Uma desembargadora do Espírito Santo será julgad...

'Gentalha atrai gentalha': desembargadora do ES vira ré no STJ por ofensas em grupo de WhatsApp
'Gentalha atrai gentalha': desembargadora do ES vira ré no STJ por ofensas em grupo de WhatsApp (Foto: Reprodução)

'Gentalha atrai gentalha': desembargadora do ES vira ré no STJ por ofensas em grupo de WhatsApp Divulgação Uma desembargadora do Espírito Santo será julgada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ofender colegas de trabalho em um grupo no WhatsApp. Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, que agora é ré em um processo penal, também é vice-presidente do TRT da 17ª Região (ES). O caso já era investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde março deste ano, quando outros magistrados denunciaram que Marise enviou no chat coletivo mensagens com manifestações de teor político, contra colegas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Na época, uma imagem divulgada mostrou que um desembargador aposentado foi chamado pela vice-presidente de "gentalha". A magistrada também enviou xingamentos e mensagens ofensivas a outros membros do grupo. "Vocês esquerdistas de 'merda' [...] Querem 'escrotizar'? Bora", disse. Em outra fala, Marise afirmou: "Quando eu for presidente do Tribunal, menina, a direita já tratorou a esquerda toda", escreveu. Os colegas que apresentaram a denúncia querem que a desembargadora responda por difamação e injúria. "Foram cinco difamações e seis injúrias. As imputações são graves, acusações sérias contra as vítimas feitas dentro de um grupo com mais de 60 magistrados", afirmou David Metzker, advogado das vítimas. A acusação afirmou ainda que as declarações da desembargadora foram além de comentários ideológicos e "atingiram a honra das vítimas". O ministro Og Fernandes, relator do caso no STJ, destacou que o recebimento do caso significa apenas que há indícios suficientes para abrir a ação penal, mas ainda não representa uma condenação. A responsabilidade de Marise será analisada durante o processo. O g1 tentou contato com a defesa da vice-presidente do TRT-17, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. Afastada há 2 meses Em julho deste ano, a desembargadora foi afastada do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida cautelar foi tomada após a magistrada fazer críticas a juízes de primeira instância da Justiça do Trabalho e à Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) durante uma sessão do tribunal. A decisão foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Segundo o magistrado, Marise Chamberlain adotou um "tom jocoso, deboche e excessos verbais" ao comentar a atuação dos juízes de primeiro grau e da OAB-ES. LEIA TAMBÉM: 'Primeiro grau não produz nada': desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB Mãe dorme em calçada após sair de casa para fugir das agressões do filho em Viana 'Não produz nada': Desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB Durante sessão do TRT-17 realizada na quarta-feira (8), a desembargadora afirmou que "o primeiro grau não produz nada", em referência aos juízes e servidores da Justiça do Trabalho, e também criticou a OAB-ES, que havia solicitado o adiamento da votação sobre uma reestruturação administrativa da Corte. "O primeiro grau não está produzindo nada. O segundo grau está produzindo loucamente. O que a OAB vai fazer aqui?" questionou a desembargadora. Após as declarações, a presidente da OAB-ES, Erica Neves, classificou a fala da desembargadora como um "destempero". Diante disso, em nova manifestação, a desembargadora acusou a presidente da Ordem de misoginia. "Tenho 61 anos de idade e nunca falei para nenhuma mulher que ela era destemperada. Nunca, jamais", afirmou. A OAB-ES, por sua vez, acionou o CNJ, que abriu uma Reclamação Disciplinar. Já o pedido de adiar a votação foi atendido pela maioria dos desembargadores do TRT-17. Na decisão de Campbell, à qual a colunista Letícia Gonçalves teve acesso, o corregedor afirmou que a conduta da magistrada é incompatível com os deveres do cargo. "A urbanidade, a polidez e o tratamento cortês com partes e interessados, bem como os representantes das instituições essenciais à Justiça não representam mera faculdade, mas obrigação funcional imperiosa", escreveu Mauro Campbell Marques. Além do afastamento das funções de vice-presidente do TRT-17, a desembargadora foi impedida de exercer qualquer atividade no tribunal. Ela também está proibida de acessar as dependências da Corte e deverá devolver as credenciais de acesso ao prédio. Apesar do afastamento, Marise Chamberlain continuará recebendo remuneração, mas ficará sem as prerrogativas relacionadas ao exercício diário da função. Investigação pode resultar em processo disciplinar A Reclamação Disciplinar instaurada pelo CNJ poderá resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Na decisão, o corregedor afirmou que a repetição de episódios envolvendo a magistrada demonstra um comportamento incompatível com o exercício da magistratura. "A reiteração desse padrão irascível e hostil, agora direcionado à advocacia e à magistratura de primeira instância, evidencia uma recalcitrância incompatível com a dignidade da função jurisdicional", escreveu. Segundo o CNJ, em análise preliminar, a conduta pode configurar violação à Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e ao Código de Ética da Magistratura. Desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB. Reprodução Outro processo no CNJ Marise Chamberlain já responde a outro Processo Administrativo Disciplinar no CNJ. Nesse caso, a investigação apura mensagens enviadas por ela em um grupo de WhatsApp com críticas a colegas magistrados e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em razão desse procedimento, ela já estava impedida de exercer funções administrativas no TRT-17, com exceção da vice-presidência, e também de disputar a presidência do tribunal. *Com informações de Letícia Gonçalves. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo