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'Toda instituição tem suas laranjas podres', afirma delegado-geral da Polícia Civil do ES sobre policiais presos

Delegado-geral da Polícia Civil comenta denúncia de tráfico de drogas dentro da corporação O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Dar...

'Toda instituição tem suas laranjas podres', afirma delegado-geral da Polícia Civil do ES sobre policiais presos
'Toda instituição tem suas laranjas podres', afirma delegado-geral da Polícia Civil do ES sobre policiais presos (Foto: Reprodução)

Delegado-geral da Polícia Civil comenta denúncia de tráfico de drogas dentro da corporação O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darci Arruda, afirmou nesta segunda-feira (30) que a instituição não vai exitar em punir desvios internos, se referindo às denúncias de envolvimento de policiais civis com o tráfico de drogas. Em entrevista ao Bom Dia ES, Arruda usou a metáfora de 'laranjas podres' para classificar os investigados e ressaltar que a conduta deles é uma exceção dentro da força policial. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Dois policiais civis do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) estão presos e três, afastados. Além disso, outros 15 policiais militares também foram investigados e denunciados por envolvimento com o tráfico de drogas. A fala foi feita um dia depois que o Fantástico exibiu uma reportagem com áudios, vídeos e depoimentos exclusivos da investigação da Polícia Federal e do Ministério Público do Espírito Santo. Policiais civis estão entre principais traficantes do ES, diz investigação Investigações da Polícia Federal e MP A investigação concluiu que policiais civis do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), principal departamento de combate ao tráfico de drogas do estado, teriam se aliado a criminosos para desviar entorpecentes apreendidos em operações e realizando a revenda no mercado ilegal por meio de traficantes ligados ao grupo. O g1, acompanha o caso desde novembro do ano passado, quando aconteceu a primeira fase da Operação Turquia, e os primeiros policiais investigados foram afastados das funções. Mandados de busca e apreensão, de prisão temporária e ordens judiciais de afastamento de função pública foram cumpridos em Vitória, Vila Velha e Serra, na primeira fase da Operação Turquia PF/ES LEIA TAMBÉM: Policial civil e mais 5 são presos por participação em esquema de desvio de drogas Policiais são afastados por desviar drogas de apreensões e enviar para facção no ES PF e MP investigam policiais civis suspeitos de desviar drogas apreendidas e revender Um dos policiais detidos é Eduardo Tadeu, que atuava há mais de 10 anos no Denarc. Segundo a investigação, ele é suspeito de liderar o esquema. O outro policial civil preso é Erildo Rosa. Os policiais investigados continuam recebendo salários por decisão judicial, mas estão impedidos de usar armas, distintivos ou insígnias da Polícia Civil. Além deles, a participação de outros policiais, civis e militares, é investigada. Arruda isolou a conduta dos policiais citados na investigação da imagem dos demais servidores da corporação. "Toda instituição tem os seus problemas. Toda instituição tem as suas laranjas podres. Nós estamos agora cortando a própria carne. Não podemos deixar que 10 policiais possam manchar a imagem de 2.000 policiais", declarou. Apesar de saber que havia investigações em curso, o chefe da Polícia Civil disse ter ficado "surpreso e indignado" quando tomou conhecimento da "grandeza" e da "amplitude" do esquema criminoso revelado pela operação. Demora nas investigações Questionado sobre o tempo de investigação, que se arrasta por nove anos sem que os agentes tivessem sido afastados anteriormente, o delegado-geral explicou que o processo foi complexo por não envolver prisões em flagrante com entorpecentes. Segundo ele, o caso foi construído com base em "provas indiretas", como depoimentos, extrações de dados e vestígios. “Os policiais não foram presos transportando droga, eles não foram presos vendendo droga, eles foram presos que nós chamamos de uma prova indireta. O que é uma prova indireta? É uma prova que é constituída através de informações, através de depoimentos, através de extrações, de vestígios, de manchas, isso demanda tempo”, considerou o chefe da Polícia Civil capixaba. Delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda TV Gazeta Acordo nas investigações Arruda afirmou que houve um acordo entre a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), caberia à Corregedoria a apuração administrativa, enquanto o MPES ficaria responsável pela investigação criminal. Na avaliação do delegado-geral, não houve maior eficiência do Ministério Público em relação à Corregedoria para concretizar os afastamentos, ele disse que o trabalho foi realizado em parceria e a complexidade do caso também contribuiu para a demora. José Darci Arruda ressaltou que, no momento em que houve ordem judicial e provas robustas, a Corregedoria atuou prontamente no cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão. “O Ministério Público, juntamente com a Polícia Federal, solicitou o apoio então da Corregedoria para desenvolver a operação. Então, a partir daquele momento, instaura-se o processo administrativo porque as provas então colhidas no campo criminal vieram então para a Polícia Civil", disse. Investigação e punições O delegado-geral revelou que, agora, a investigação quer descobrir a extensão da rede desses policiais dentro da instituição. Como os agentes passaram por diferentes departamentos e delegacias ao longo dos nove anos em que foram monitorados, a polícia quer saber se houve comportamentos ilícitos em outras unidades. No campo administrativo, Arruda afirmou que o objetivo é concluir o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em cerca de 100 dias. O julgamento pelo Conselho de Polícia poderá resultar na expulsão dos agentes do serviço público, aplicando o que ele chamou de "pena dura que a lei determina". Outro lado A Polícia Militar informou que 14 investigados estão presos preventivamente e afirmou que não concorda com condutas ilícitas de seus integrantes. A defesa de Eduardo Tadeu informou que tomou conhecimento das medidas cautelares recentemente determinadas no curso da investigação conduzida pela Polícia Federal, que resultaram no afastamento funcional de alguns investigados. Disse que a apuração ainda se encontra em andamento, com diligências investigativas pendentes e reiterou que todos os esclarecimentos necessários serão prestados no momento oportuno. O advogado de Erildo Rosa afirmou que aguarda acesso completo aos dados da investigação e disse que não há elementos concretos que comprovem participação do cliente em organização criminosa. A Defensoria Pública, que representa o traficante conhecido como Passarinho, não comentou o caso. Entenda o caso Uma operação conjunta entre o Ministério Público, a Polícia Federal e a Corregedoria da Polícia Civil apura o envolvimento de policiais em um esquema de corrupção e tráfico de drogas que já dura cerca de nove anos. Policiais são suspeitos de desviar drogas apreendidas em operações e revender o material a traficantes. Em um dos depoimentos, um preso afirmou ter pago R$ 49 mil por 50 kg de entorpecentes desviados. As investigações apontam que o esquema incluía a atuação de informantes, que indicavam traficantes rivais. A partir dessas informações, os policiais realizavam abordagens, apreendiam os entorpecentes e desviavam parte do material, que era posteriormente repassado para revenda, com divisão dos lucros. Parte das provas foi obtida a partir do celular de um traficante identificado como Yago Sahib, conhecido como “Passarinho”, ligado a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que mantinha contato frequente com um policial do Denarc. Conversas indicam troca de informações e negociação de drogas. Policiais civis são afastados por suspeita de desvio de drogas para facção criminosa A Operação Turquia, que já teve duas fases realizadas. Na primeira, em novembro do ano passado, um policial civil foi preso e outros dois afastados por suspeita de desviar drogas apreendidas para traficantes que atuam na Ilha da Príncipe, em Vitória. A ação ocorreu em Vitória, Vila Velha e Serra. Na segunda fase da operação, realizada no último dia 18, outro policial civil e mais cinco suspeitos foram presos. Segundo a Polícia Federal, o agente preso nessa ocasião é um dos que haviam sido afastados na primeira fase da ação. As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, ocorrida em fevereiro de 2024. A partir do aprofundamento das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, evidenciando possível cooperação ilícita durante diligências policiais. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo